Grupo Trocando Vivências realiza sexto encontro

O mais recente encontro do Grupo Trocando Vivências abordou o tema “Múltiplas velhices: como vem se desenhando o seu envelhecer?”. A atividade, realizada na quarta-feira (27), foi ministrada pela psicóloga Naylana Rute da Paixão Santos — especialista em saúde da pessoa idosa (EBMSP), mestra em Psicologia do Desenvolvimento (UFBA) e analista técnica de Psicologia do Núcleo do Idoso da Defensoria Pública da Bahia. A mediação foi da assistente social Raquel Pavin, que também atua no “Projeto Viver Bem” da APERGS.
Durante a palestra, Naylana destacou textos de duas escritoras:

Não deixa de ser tolo encarar o tempo como um conjunto de gavetas compartimentadas nas quais somos jovens, maduros ou velhos – porém só em uma delas, a da juventude, com direito a alegrias e realizações. A possibilidade de ter saúde, projetos e ternura até os 90 anos é real, dentro das limitações de cada período. Quando não pudermos mais realizar negócios, viajar a países distantes ou dar caminhadas, poderemos ainda ler, ouvir música, olhar a natureza;
Por que ser jovem de espírito seria melhor do que ter um espírito maduro ou velho? Ter mais sabedoria, mais serenidade, mais elegância diante de fatos que na juventude nos fariam arrancar os cabelos de aflição, não me parece totalmente indesejável.
Vou detestar se, ficando velha, alguém quiser me elogiar dizendo que tenho espírito jovem. Acho o espírito maduro bem mais interessante do que o jovem. Mais sereno, mais misterioso, mais sedutor. 
(Lya Luft)
 
RENOVADA
O roçar do tempo na pele
dobra o corpo em sete vincos.
que ninguém escapa
se tiver dias.
 
Tem pernas pesadas,
encolhimento no tamanho,
lábios e cabelos sem viço,
um espelho por inimigo.
 
A alma pode fugir dessa zanga.
Como é, pode permanecer um século.
 
Dorme quieta, dentro desse saco,
e toda vez que o tempo passa
faz-lhe montes de caretas.
 
A alma é quem é rica.
Só ela tem direito a fazer plástica
todo santo dia.

(Midhi Paixão – Instagram @poesia.midhipaixao)
A próxima atividade do ciclo será realizada em 24 de novembro, marcando o último encontro do projeto no ano. Com o total de sete edições, o Grupo Trocando Vivências surgiu com o propósito de estimular a convivência e fortalecer as relações sociais e de pertencimento, além de amenizar as consequências do isolamento pela pandemia.

Todos(as) os(as) colegas aposentados(as) e em atividade estão convidados(as) a participar!