14 de Março de 2019

Pioneiras na área jurídica do Estado debatem desafios e experiências no setor público



A importância de saber se impor e o esforço necessário para que mulheres cheguem onde elas quiserem foram algumas das mensagens destacadas por lideranças femininas do Estado em um talk show realizado nesta quarta-feira (13). Promovido pela Procuradoria-Geral do RS (PGE-RS) e pela Associação dos Procuradores do Estado do RS (Apergs), o painel reuniu pioneiras na área jurídica para debater desafios e experiências em suas carreiras no setor público. Um grande público acompanhou a atividade no auditório da PGE-RS, que faz parte das comemorações aos 54 anos da entidade e uma homenagem ao Dia da Mulher.

Na abertura, o Procurador-Geral do Estado, Eduardo da Cunha Costa, destacou que a PGE-RS tem um histórico de mulheres na liderança. “Temos honra dessa força. Nossa instituição foi dirigida mais de uma vez por mulheres que enfrentaram todas as dificuldades que a vida profissional traz a todos nós. Mesmo assim, conseguiram conjugar isso com ternura e carinho ao lado de suas famílias, em suas duplas ou triplas jornadas, muitas vezes”, disse Costa.

Em uma mesa-redonda mediada pela jornalista Rosane Marchetti, a ex-Defensora-Pública Geral do Estado, Maria de Fátima Zachia Paludo, pontuou as dificuldades na luta por igualdade profissional. “Nós determinamos onde queremos chegar. Sempre tive o apoio da minha família para buscar aquilo que queria. Mas o maior desafio foi conciliar a maternidade e a profissão”, afirmou, opinião compartilhada unanimemente pelas demais participantes.

A desembargadora no Tribunal de Justiça do RS e primeira mulher a presidir a Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul (Ajuris), Denise Oliveira Cezar, complementou: “Fazemos parte das vidas umas das outras”. “Nossa condição, especificamente, permite contar com a proteção do Estado, mas abrimos portas para que muito mais mulheres também possam seguir esse caminho e ocupar os espaços”, destacou.

Equiparação salarial

Ainda nesta quarta-feira, foi aprovado projeto de lei que endurece a cobrança sobre empregadores que não pagam salários iguais para homens e mulheres. O objetivo do texto é assegurar o que estabelece a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT): salário igual para todos na mesma função e atividade. Ao encontro da novidade, o tema foi um dos pontos abordados no evento.

“No setor público temos armas para combater a prevalência da cultura ditada por comportamentos masculinos. Contamos com legislação e um pouco mais de respaldo do que na iniciativa privada”, comentou a primeira mulher presidente da Apergs e ex-Procuradora-Geral do Estado, Helena Maria Silva Coelho.

Terceira mulher presidente da Apergs em 52 anos de história, Marcela de Farias Vargas destacou que dos 55% das posições ocupadas por mulheres no funcionalismo, apenas 21,7% são os cargos mais altos. “Precisamos nos unir pois há muito o que mudar nessa realidade”, complementou.

Simone Mariano da Rocha foi a única mulher até hoje a ocupar o cargo de ex-Procuradora-Geral de Justiça do Estado. Para ela, a questão de gênero nunca foi uma barreira intransponível para se impor por aquilo que acreditava. “Em determinado momento, comecei a sentir que não tinha meu espaço, que tudo era muito restrito aos homens. Decidi lutar pelos meus ideais pessoais e institucionais quando isso começou a me indignar. A determinação em acreditar nas possibilidades e querer mudar alguns rumos que não concordamos nos dá força”, afirmou.

Pioneirismo na história da polícia gaúcha

Nadine Anflor é a primeira mulher a comandar a Polícia Civil do Rio Grande do Sul. Nomeada em janeiro deste ano pelo governador Eduardo Leite, a delegada aceitou assumir o cargo sem pensar duas vezes. “Eu fiz isso por todas as mulheres. Se hoje estou chefe de Polícia é porque tantas outras trilharam esse caminho, exigindo respeito e igualdade, sem desistir. Não queremos mais ou menos que os homens, mas sim respeito e igualdade”, falou. Atualmente, 38% dos cargos policiais são ocupados por mulheres no RS.

Para Nadine, a busca por mais igualdade está apenas começando. “Ainda temos muito o que conquistar, fazer e avançar, contribuindo com esse nosso olhar fraterno e firme. Precisamos romper muitas barreiras e ir além. Somos trator, patrolamos, porque não sabemos como, mas conseguimos cumprir os desafios. Podemos nos considerar privilegiadas por ingressar no serviço público, mas precisamos trazer junto tantas outras quanto possível”, finalizou.

Além da PGE-RS e da Apergs, também promoveram o evento o Sindicato dos Servidores da PGE-RS. O encontro contou com patrocínio da Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR) e da Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan), além do apoio da Associação dos Servidores da PGE-RS.

Fonte: Assessoria de Imprensa/APERGS

 
 


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